Jeffery Dahmer
Quando ele nasceu não houve nada de anormal, todos sorriam e o abraçavam e o beijavam afirmando que seria um menino lindo como eram os pais.
Aos sete anos começou a sentir que algo estava errado, muito errado nele.
O corpo era de menino, mas o cérebro, a psique era feminina.
Não tinha idade suficiente para compreender as pessoas e o mundo, mas percebia que não gostavam dos seus modos e de suas falas.
Os pais, os irmãos, os amigos tentavam modificar o seu comportamento como se ele estivesse fazendo algo totalmente contrário ao que deveria fazer.
Aos 12 anos tentou se corrigir e agir conforme os outros achavam que seria o normal.
Já sabia o que significava imoral.
Então percebeu que assim fazendo não estaria sendo ele mesmo, mas sim alguém idealizado por outros.
Mas não se sentiu triste, pois percebia que agindo como agiam todos os outros, orgulhava o pai, a mãe, os irmãos e os amigos que imaginava ter.
Só aos quinze percebeu que sentia uma certa solidão porque aquele que ele mostrava aos outros não era ele.
Os braços peludos não respondiam ao soco e preferiam o afago.
E seus olhares que buscavam os rapazes voltavam para dentro dele sem respostas e envergonhados.
Aos 18 anos compreendeu que a solidão que sentia era imensa e estava a devorá-lo lentamente.
Os irmãos também perceberam e, para ajudá-lo, apresentaram-lhe sua futura esposa. Ele casou-se e pensou que agora estaria tudo bem.
Com o passar do tempo compreendeu que quando a abraçava não abraçava ninguém e a solidão voltou a castigar-lhe a mente.
Mas sua mente já não aceitava as explicações morais e simplórias.
E sentiu raiva de si mesmo. Se o único errado na história toda, era ele, a única solução seria eliminar o culpado.
Aos 21 anos, no banheiro, encostou a lâmina na veia e viu a primeira gota de sangue brotar.
E olhando o sangue, percebeu, de repente, o quanto estava sendo covarde agindo da forma que todos esperavam que agisse.
Sentiu que todos o odiavam e desejavam que ele se destruísse. Morrendo, estaria se anulando para que vivessem os desejos dos outros.
Então percebeu que o ódio que sentia por si mesmo era aquele que deveria sentir pelos seus inimigos.
E odiou o pai, a mãe, os irmãos, os amigos que nunca teve e , por extensão, a todos .
E reconheceu que a solidão era o único refúgio onde se sentiria protegido.
Mas como a solidão é um veneno que não mata, mas cega e enlouquece, passou a sentir-se cada vez mais desesperado, sem mais nenhuma porta que se entreabrisse à sua frente.
Aos 28 anos, a solidão era uma faca profundamente revolvendo seu cérebro.
Precisava possuir todos os que jamais o aceitariam. Por isso, todas as noites, rondava à procura de um amigo, uma vítima.
Por isso escondia no freezer os corpos que pertenciam somente a ele.
Por isso comia- lhes o coração .
Para que se incorporassem nele.
Para ser um deles.
Para não se sentir só.



fevereiro 24th, 2010 at 12:57
março 4th, 2010 at 2:34